Sem categoria

hoje o sol despertou feito uma bola de pus na garganta de deus.

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Poemas

até que ponto é dolorido?
até que respondam suas expectativas;
até que correspondam suas investidas;
até que o abraço do pai
não seja meramente virtual?

(a saudade nasceu com o homem
e dele só se separa na morte)

até que ponto sua força
pode segurar a lágrima?
até que o suor do esforço
do outro seja o único líquido;
até que os vícios sejam reminiscências;
até que as reminiscências sejam
de vidas celestes superiores?

(é razoável sofrer quando todos
estão felizes na ignorância)

até que ponto pode o olho
se fechar para a dor alheia?
até que a maldição também
o agarre pelos cabelos;
até que o sangue das tuas veias
seja o único líquido;
até que a vaidade
nos extermine de vez?

Poemas

ESTRATO SOCIAL

ó nobre homem solitário;
ó nobre funcionário do mês;
ó nobre sapo venenoso;
ó nobre mulher d’família burguês;
ó nobre cavalo de corrida,
doce lebre acinzentada;
ó nobre cão amedrontado:
o que fazemos aqui?
ó nobre garimpeiro;
nobre hóspede parasita;
nobre carro americano;
ó nobre apreciador de bebidas;
ó nobre trabalhador pesqueiro,
ó nobre homem desmiolado:
você já se tornou humano
ao menos uma vez?
ó nobre avestruz;
nobre sapo cururu;
ó nobre mulher aveludada;
ó nobre cavaleiro sem rédeas;
ó nobre sapateiro capitalista;
nobre trabalhador da limpeza;
trabalhador da construção civil;
ó nobre advogado,
nobre juiz bonachão,
ó nobre soldador sujo de graxa;
ó nobre delegado inviolável;
nobre policial grande e corrupto;
ó nobre presidente rico de um país falido;
parlamentarista fedido;
ó deputado estadual banguela;
ó nobre saltimbanco,
malabarista de facão,
domador maquiado de leão;
tigre de bengala;
guia turístico;
arquiteto;
sem teto;
ó nobre professor;
homem do jaleco sujo:
você já se tornou humano
ao menos uma vez?
você que almeja títulos,
privilégios,
fortuna e luxúria,
que não volta para dentro,
vive do lado direito
mesmo sem estarmos em guerra;
ó nobre homem de negócios,
ó dividendo;
ó nobre vendedor de cocada,
traficante de cocaína;
ó nobre príncipe;
nobre conselheiro;
capitão de navio;
ó nobre guru,
conhecedor das
coisas excelsas;
ó nobre portador de cabeças de gado;
ó nobre trabalhador assalariado;
ó nobre homem de negócios;
ó nobre homem sem negócio;
ó nobre filho da mãe,
do pai,
do espírito santo;
ó guru,
falso organizador de toda a energia
do universo;
ó místico,
conhecedor de todos os sete planos;
ó continuação de Krishna,
extensão de Shiva,
expressão de Brahma;
ó buscador nervoso do nirvana;
ó filósofo, Confúcio, Plotino,
ó Platão,
o que vocês têm a dizer
da nossa atual condição?
ó nobre discípulo;
nobre enfermeiro;
nobre aviador;
ó nobre conhecedor
das causas profundas
do homem;
ó nobre mecânico de automóveis;
nobre borracheiro;
atendente de lanchonete;
ó você que tem problema em casa,
não tem dinheiro o mês inteiro;
você que brigou com a mulher
brigou com a mãe,
com o pai,
com as irmãs,
que está no inferno;
ó você que caminha todos
os dias em direção
a uma condição melhor
de vida;
comece olhando para o alto,
percebendo a magnificência
dos príncipes celestes;
ó nobre homem vivo neste plano,
você já se tornou humano
ao menos uma vez? 

Ensaios

a grande questão agora é colocar o Rabo de Galo na lista da “International Bartenders Association” e mostrar ao mundo por que os borrachos brasileiros são cozidos e não, digamos, assados. em são paulo, na névoa da gourmetização geral, nosso “cocktail” é cada vez mais importante e os empresários sacaram que com um bitter descente se consegue cobrar até 30 paus numa dose. okay, mas precisamos que nosso galo passe pelo crivo de 60 países; e enquanto isso não acontece, não esqueça do gelo em sua bebida, isso diminui a percepção de amargor e seu rabo de galo fica menos agressivo, apesar que é possível não acontecer o mesmo com você.

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Ensaios

AUTOSSABOTAGEM

Já notou como o Facebook tornou-se imprescindível em nossas vidas, e como é um vício relativamente novo? O Orkut fez a nossa inserção, como se fosse uma semente jogada na terra. Esse tipo de manifestação se parece com uma árvore, e todos os processos que envolvem o seu crescimento são os nossos clicks. Então aparecem os bichos, se é uma árvore. Cada um de nós sendo um bicho diferente e recebendo todo tipo de alimento informativo dessa manifestação. No Facebook, as páginas são galhos que levam a folhas e bichos diferentes, em cada canto sendo declarada a vontade de cada um. Bem, teve o Orkut, que talvez nem seja realmente a semente-mor, mas o fato é que a árvore continua o seu desenvolvimento, e como sempre uma hora terminará sua função e desaparecerá, mesmo aquelas que duram dois mil anos. É essencial perceber o nível de autossabotagem que as mídias sociais nos incutem e desfocar a mente do excesso de informação. Não é possível, nas especificidades, adentrarmos o todo. No entanto, à partir do todo, buscando-o, podemos desvendar particularidades essenciais de nossas vidas; e com um pouco de bom senso podemos nos livrar de males modernos que corrompem nosso pensamento. Ou melhor, não deixam nossa mente quieta, sendo eternamente a assassina do Real, como foi misticamente colocado pela magistral Helena Blavatsky, em A Voz do Silêncio — muito antes das redes sociais.