Contos

DE DENTRO DO ÔNIBUS

a senhora de vermelho entrega panfleto no sinal – 1, 2, 3 – homem do Volvo joga bituca e fecha vidro.
cego canta no ônibus, entrou no tubo do Detran, enquanto calendários com salmos tocam o coração das pessoas que não podem ajudar. o cara da moto deixa o carnê em cima da geladeira e costura o engarrafamento, acreditando em sua invencibilidade; a fisionomia é de raiva. a moça, que já conheceu o exterior e ganhou do pai um automóvel do ano, dirige com os vidros fechados e fala ao telefone sem parar, como se nada neste mundo pudesse afetá-la. por que tanta alegria? será culpa do ego, fazendo-me acreditar que nada é mais claro que minha visão? ou a ideia de que ainda tenho pizza na geladeira? o grupo de garotos parece ter bons motivos para sorrir, não param de mostrar os dentes e gritam feito… voltam da escola com mochilas descidas à bunda. algumas garotas caminham à frente, estão bem mais próximas uma da outra e falam muito mais baixo. um cara estranho e raquítico caminha com roupa de ginástica, torto e feio. a mulher ao lado da banca, um pouco acima dos oitenta quilos, acende um cigarro.
Rua dos Operários – Ed. Tulien – bicicleta Vanzo pendurada num carro preto – um avião que ninguém viu. quase escuro e o sujeito de calças amarelas e camisa dentro das calças ainda usa seu Vitor Hugo protegendo os olhos.
Minha viagem chega ao fim.

 

 

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